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Mapa cirúrgico: o que é e o que ele precisa mostrar

O mapa cirúrgico é a resposta para a pergunta que mais se repete no centro: “como está a sala 3?”. Quando ele está desatualizado, a resposta volta a morar num telefonema.

O que é

É a representação de tudo que está programado e acontecendo nas salas do centro cirúrgico num período — normalmente o dia. Serve a três decisões diferentes, e é por isso que ele quase nunca cabe numa lista simples:

O que um bom mapa precisa mostrar

Um mapa que só lista horário e nome não sustenta decisão nenhuma. O mínimo útil:

InformaçãoPor que precisa estar ali
Salaé o recurso escasso que está sendo alocado
Horário previstosem ele não há como medir atraso
Paciente e registroidentificação inequívoca na hora da conferência
Procedimento e especialidadedimensiona material, instrumental e duração
Carátereletiva, urgência ou emergência mudam a prioridade na fila
Equipecirurgião, anestesista e circulante — quem responde por aquela sala
Pendênciassangue, vaga de UTI e material especial (OPME)
Etapa atualem que ponto da cirurgia o paciente está agora

Os dois últimos são os que costumam faltar — e são justamente os que evitam paciente descendo para uma sala que não pode recebê-lo.

Por que o quadro branco não dá conta

O quadro branco tem uma virtude real: todo mundo vê ao passar. Mas tem limites que aparecem todo dia:

A planilha compartilhada resolve o alcance e o histórico, mas cria dois problemas novos: alguém precisa consolidar, e duas pessoas editando a mesma célula ao mesmo tempo geram versões conflitantes.

Manter atualizado é um problema de atrito, não de disciplina

A regra prática

Se registrar custa mais que dez segundos, não é registrado no momento certo — é reconstruído de memória depois. E memória arredonda tudo para o horário previsto, apagando exatamente a informação que se queria ter.

O caminho que funciona é inverter a lógica: em vez de alguém transcrever o que aconteceu, cada etapa é carimbada por quem já está ali, com um toque, no instante em que acontece. O mapa deixa de ser um documento que alguém mantém e passa a ser o subproduto natural do trabalho.

As etapas que valem carimbar

Sete marcos cobrem o percurso inteiro do paciente e alimentam todos os indicadores do centro cirúrgico:

  1. Paciente chega ao centro cirúrgico
  2. Paciente entra em sala
  3. Início da anestesia
  4. Incisão
  5. Fim da cirurgia
  6. Fim da anestesia
  7. Saída de sala

Nem todo setor precisa dos sete. Em procedimentos rápidos — endoscopia, por exemplo — exigir sete carimbos gera atrito sem gerar informação. O conjunto deve ser configurável por setor.

Antes de o paciente descer

Um mapa maduro trava a descida do paciente enquanto houver pendência aberta. Vale conferir três coisas antes:

E, no momento da descida, a prontidão de anestesista, cirurgião e equipe de sala. Paciente que desce antes disso vira espera na antessala — o pior lugar possível para esperar.

O mapa na parede do centro

Uma tela no corredor resolve a maior parte dos telefonemas: quem passa vê o estado das salas sem abrir computador nem perguntar. Dois cuidados que não são opcionais:

Um mapa que se atualiza sozinho

O Mapa do Centro mostra cada sala em tempo real para toda a equipe — inclusive numa TV no corredor do centro.

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