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Indicadores de centro cirúrgico: quais acompanhar e como calcular

O centro cirúrgico costuma ser o setor mais caro do hospital, e também o que menos se mede. Não por falta de vontade — é que quase todo indicador depende de horários que ninguém tem tempo de anotar no meio do plantão.

Esta página reúne os indicadores que realmente mudam decisão, com a conta de cada um e uma observação honesta sobre como interpretá-los. Todos saem de sete horários por cirurgia. Se você tiver esses sete, tem todo o resto.

Os sete horários que sustentam tudo

Nenhum indicador aqui exige registro extra. Todos derivam destes marcos:

  1. Paciente no centro cirúrgico — chegou ao setor
  2. Paciente em sala — entrou fisicamente na sala
  3. Início da anestesia
  4. Início da cirurgia — a incisão
  5. Fim da cirurgia
  6. Fim da anestesia
  7. Saída de sala — a sala fica livre para limpeza

Entre um marco e o outro nascem as fases. É nelas que o tempo se perde — e quase nunca na cirurgia em si.

Tempo de sala

O intervalo entre o paciente entrar e sair da sala. É o indicador mais usado porque representa a ocupação real do recurso caro.

tempo de sala = saída de sala − entrada em sala

Repare que ele é sempre maior que o tempo cirúrgico. A diferença — preparo, indução, despertar e liberação — é o que se pode encurtar sem tocar na técnica cirúrgica. Por isso vale abrir o tempo de sala por fase:

FaseDeAtéO que costuma explicar um valor alto
Espera no CCchegada ao centroentrada em salasala anterior não liberou, equipe incompleta
Preparo em salaentrada em salainício da anestesiamaterial faltando, acesso difícil, checagem
Induçãoinício da anestesiaincisãovia aérea difícil, posicionamento, antissepsia
Tempo cirúrgicoincisãofim da cirurgiacomplexidade do caso, curva de aprendizado
Despertarfim da cirurgiafim da anestesiatécnica anestésica, porte do caso
Liberaçãofim da anestesiasaída de salafalta de maca, SRPA cheia, transporte
Como ler

Se o tempo cirúrgico é o que manda, o gargalo é clínico. Se as fases de borda somam mais que a cirurgia, o gargalo é logístico — e logística se resolve com organização, não com mais gente operando.

Troca entre cirurgias (rotatividade)

O intervalo entre uma cirurgia sair da sala e a próxima entrar. É o indicador que mais revela desperdício invisível.

troca = entrada da cirurgia seguinte − saída da anterior

Duas armadilhas na hora de calcular:

Troca alta com tempo de sala normal aponta para limpeza e logística — não para a equipe cirúrgica.

Atraso da primeira incisão

A diferença entre o horário previsto e a entrada real em sala. Costuma ser o indicador mais político do centro cirúrgico, porque todo mundo tem uma teoria sobre de quem é a culpa.

atraso = entrada em sala − horário previsto

Para sair da opinião, é preciso registrar a prontidão de cada parte — anestesista, cirurgião e equipe de sala — com hora. Aí a atribuição deixa de ser discussão:

Um limite de tolerância (por exemplo, 10 minutos) evita que arredondamento vire estatística.

Taxa de suspensão

taxa = cirurgias suspensas ÷ cirurgias programadas no período

O número isolado diz pouco. O que muda conduta é o motivo e quem suspendeu. Suspensão por condição clínica é medicina; por exame pendente, falta de material ou ausência de reserva de sangue é processo — e processo se conserta. Há um detalhamento maior em suspensão de cirurgia.

Porte por duração

Uma classificação simples pela duração do ato cirúrgico, útil para dimensionar escala e comparar salas com perfis diferentes:

PorteDuração do ato
Iaté 2 horas
II2 a 4 horas
III4 a 6 horas
IVacima de 6 horas

Sem essa estratificação, comparar uma sala de catarata com uma de cardíaca produz conclusão errada.

Um aviso sobre metas

Desconfie de número universal

Não existe "troca ideal de 20 minutos" que valha para todo hospital. Perfil de casos, planta física, quantidade de salas e disponibilidade de SRPA mudam tudo. O comparativo que vale é a sua própria série ao longo do tempo: o mesmo centro, medido do mesmo jeito, mês a mês.

Indicador que não é comparável com o mês anterior não serve para decidir nada.

O problema de coletar

Todo indicador acima é trivial de calcular e difícil de coletar. Planilha preenchida no fim do plantão é preenchida de memória, e memória arredonda para o horário previsto — o que apaga justamente o atraso que se queria medir.

O registro precisa acontecer no momento em que o fato acontece, com um toque, por quem já está ali. Se custar mais que isso, não é feito — e sem dado não há indicador. É a mesma lógica de manter o mapa cirúrgico vivo em vez de reescrevê-lo no quadro toda manhã.

Esses indicadores podem sair sozinhos

No Mapa do Centro eles são calculados a partir dos horários que a equipe já registra durante a cirurgia. Sem planilha paralela, sem digitar duas vezes.

Conhecer o Mapa do Centro